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CONGRESSO INTERNACIONAL | 2nd International Conference Women and Slavery: Violence, Resistance and Diasporas

Data: 2 e 3 de Junho de 2026
Local: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Organização: Projecto Mulheres de África, Mulheres da Diáspora: conexões, transgressões e resistência, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, Brasil), Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 22/2024, e Centro de História da Universidade de Lisboa (UID/4311/2025), financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P.
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Chamada de Comunicações

Em 2025, um artigo publicado na revista Science apresentou dados detalhados sobre o ADN da população brasileira. A miscigenação evidenciada no estudo não surpreendeu, mas trouxe mais evidências sobre o impacto da colonização e a presença de africanos e indígenas na formação da sociedade. Sobre a linhagem paterna, os resultados apontaram que 71% do ADN é predominantemente europeu. Já na linhagem materna, a ancestralidade brasileira carrega 42% de ADN africano e 35% indígena. Estudiosos e estudiosas interpretaram esses dados como mais uma evidência da violência sexual praticada pelos colonizadores, ao longo dos séculos de exploração do Brasil.

 

Em diferentes partes do mundo, os colonizadores impuseram uma rotina de estupros, destruição de famílias, trabalho forçado e degradante, vigilância moral, perseguição religiosa e tantos outros abusos. Diversas vezes associada ao tráfico atlântico e sua incursão violenta contra o continente africano, é possível pensar a diáspora também para outras populações escravizadas. Ela impactou milhões de vidas e não foi vivenciada apenas na América. Em distintas regiões do globo, mulheres e meninas foram – e ainda são – forçadas a migrar por diferentes razões, tanto por terra quanto por mar.

 

Vale aqui destacar que esta não é uma história apenas de violência. Historiadores e historiadoras têm evidenciado as resistências, as transgressões e as agências femininas que ajudaram na sobrevivência, na formação de redes de protecção, na perpetuação de tradições e nas lutas por direitos.

 

Essas variadas experiências de violências, resistências e diásporas precisam ser pensadas em uma perspectiva mais ampla, conectada e global. Para isso, pretendemos reunir um número significativo de estudiosos e estudiosas a fim de compartilhar dados e análises sobre vidas e trajectórias que tragam ao mesmo tempo particularidades e semelhanças locais, regionais e globais sobre a relação entre mulheres e escravatura ao longo da História.

 

A primeira edição desta Conferência, realizada em 2024, na cidade de Lisboa, centrou-se na escravidão feminina nos continentes africano e americano. Desta vez, pretendemos ampliar o debate, convidando pesquisadores e pesquisadoras a compartilhar seus estudos sobre mulheres escravizadas em diferentes tempos e espaços – de diferentes etnias, grupos sociais, religiões e comunidades impactadas pela violência da escravização, mas também as resistências e transgressões que marcaram as suas vidas.

 

São bem-vindas comunicações que abordam os seguintes temas: fontes para o estudo da escravatura; perspectivas teóricas e metodológicas; modos de escravização; experiências sociais, económicas e políticas; trajectórias de vida; formas de exploração do trabalho; casamento, família, infância, maternidade, concubinato e outros arranjos sexuais e/ou afectivos; corpo e sexualidade; escravatura, direitos e justiça; escravatura e cultura material; tráficos intercontinentais e regionais; estratégias de resistência colectiva ou individual; abolicionismos; sociedades do pós-abolição; marginalização e cidadania; memórias sociais da escravatura. Outras relações de dependência e exploração que impactaram a vida de mulheres e meninas em diferentes períodos históricos também fazem parte do escopo da Conferência.

 

Oradora Convidada 

Vanessa dos Santos Oliveira (Royal Military College of Canada)

 

Datas importantes

31 de Janeiro de 2026: data final para submissão de propostas

28 de Fevereiro de 2026: comunicação das propostas aceites

15 de Março a 15 de Abril de 2026: registo dos participantes com comunicação

10 de Maio de 2026: programa provisório

20 de Maio de 2026: programa definitivo

 

Comissão Organizadora

Eugénia Rodrigues (Centro de História da Universidade de Lisboa)

Robson Pedrosa Costa (Instituto Federal de Pernambuco, Campus Recife)

Adriana Dantas Reis (Universidade Estadual de Feira de Santana)

Mariana P. Candido (Emory University)

Magdalena Chambel (Centro de História da Universidade de Lisboa)

 

Comissão Científica

Adriana Dantas Reis (Universidade Estadual de Feira de Santana)

Cassia Roth (University of Georgia)

Chapane Mutiua (Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane)

Daniel Domingues da Silva (Rice University)

Eugénia Rodrigues (Centro de História da Universidade de Lisboa)

José da Silva Horta (Centro de História da Universidade de Lisboa)

Magdalena Chambel (Centro de História da Universidade de Lisboa)

Mariana P. Candido (Emory University)

Robson Pedrosa Costa (Instituto Federal de Pernambuco, Campus Recife, e Centro de História da Universidade de Lisboa)

Suely Creusa Cordeiro de Almeida (Universidade Federal Rural de Pernambuco)

Vanessa S. Oliveira (Royal Military College of Canada)

Vanicléia da Silva Santos (Penn Museum da University of Pennsylvania)

 

Secretariado

Filipe Marques Fernandes

Francisco Raimundo

 

Organização

Projeto Mulheres de África, Mulheres da Diáspora: conexões, transgressões e resistência, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, Brasil), Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 22/2024, e Centro de História da Universidade de Lisboa (UID/4311/2025), financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P.

 

Eventos integrados

 

Actualizado a 26 de Maio de 2026.